Sobre o meu maior sonho
(Depois de meses parada, voltei!)
A palavra sonho me remete lembranças boas e ruins. Lembro de como eu quase não tinha sonhos na vida, porque vivia em uma cidade pequena onde, ao meu ver, aquilo era o mundo e não existia nada além daquilo. Engano meu. Foi quando os 18 anos chegaram que eu pude perceber que eu podia almejar bem mais pra mim, mas que na minha cidade natal eu não poderia realizar muito. Então eu fui embora de casa.
Isso nunca foi meu sonho, mas pra que sonhos fossem sonhados e tivessem a possibilidade de ser realizados, eu tive que me aventurar. E deu certo até então!
Mas nem tudo foi bom. Todo sonho que eu tenha, independente de ser simples ou complexo, demanda energia, planejamento ou gasto. Essas três coisas sempre são cadeira cativa na listinha de sonhos. Mas, quando o assunto é sobre o meu maior sonho, eu não sei exemplificar ou eleger um único sonho. Sendo assim, vou contar algo que abriu minha mente para que eu pudesse enfim sonhar mais:
Em 2018, quando eu tinha 25 anos, passei pro uns momentos bem barra pesada. Eu não queria mais viver, não me sentia sendo eu mesma e acho sinceramente que nem sabia quem eu mesma era. Eu não fazia nem 1/3 do que eu tinha vontade e além de ser um meio-robô fisicamente falando, era mentalmente também. Seguia uma rotinha padrão onde tudo pra mim era destrutivo, até o curso que eu tinha lutado tanto pra entrar na universidade. Até que um dia eu não aguentei mais. Saí do emprego em que estava por mais de 6 anos, doente, esgotada, exausta e sem muitas esperanças porque eu vivia em função de outras pessoas, do que elas me diziam fazer, do que me ordenavam fazer e era facilmente manipulada a fazer tudo aquilo, do jeito que queriam.
Uma tarde comum, fui à consulta com uma psicóloga que havia sido professora de uma amiga e passei uns 3 meses me tratando com ela, enquanto não conseguia fazer portabilidade do plano de saúde. Foi ela que me motivou a não desistir. Em uma das sessões eu disse pra ela que a expectativa de vida do brasileiro era de 75 anos e que eu já havia vivido 1/3 da minha vida em função dos outros, fazendo o que não era o que eu gostava de fazer, por isso queria morr*r. Ela me disse: "Se você já viveu 1/3, faltam 2/3. Ainda tem tempo de você viver do seu jeito, o que você acha de tentar a partir de agora?". Eu chorei muito naquele momento e talvez nos últimos anos também tenha chorado muito pensando nisso e tentando fazer com que esse acordo que eu fiz com ela valesse a pena.
Eu acho que esse se tornou o meu maior sonho, viver a minha própria vida: uma vida administrada por mim, com objetivos determinados por mim, realizando sonhos sonhados por mim, conquistando coisas com o meu esforço e por vontade minha. Eu sei que hoje em dia é um pouco complicado, mas não é impossível. Por enquanto ainda tenho ajuda financeira para pagar meu plano de saúde, mas tenho trabalhado e persistido para que logo logo eu viva por conta própria definitivamente. De 2018 pra cá foram muitos quilômetros percorridos e eu não me arrependo do que passei, fossem situações tristes ou dolorosas. Tudo foi aprendizado pra mim e que bom que no final das contas ganhei mais um dia, no final mais uma semana, e mais um mês e mais um ano, chegando então até aqui.
2025 está sendo de grandes realizações, em breve é a colação de grau, logo mais algumas provas. Estou trabalhando num lugar que gosto e que me sinto feliz, com pessoas que reconhecem meus esforços e que me admiram. A vida tem feito sentido. O meu maior sonho não é um único sonho, são todos os dias que vivo para satisfazer o meu eu, para que no fim do dia eu sinta que fui útil e importante na vida de alguém, mesmo que por alguns minutos. E é tão bom essa sensação que dá vontade de continuar me aprimorando cada dia mais, pra receber melhor as pessas e dar o meu melhor, inclusive pra mim mesma.
Eu continuo sonhando e é bom demais sonhar.
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